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Cirurgia para transformar meninas em meninos

1 jul

Por Letícia Sorg da revista Época

Segundo uma reportagem do Hindustan Times, centenas de meninas estão sendo transformadas em meninos em Indore, na região de Madhya Pradesh, na Índia. As crianças, de 1 a 5 anos, seriam submetidas a um tratamento com hormônios e a uma genitoplastia – que, nesse caso, transforma a genitália feminina em masculina.

O tratamento, que é relativamente barato – cerca de US$ 3200 –, tem atraído casais de Mumbai e Délhi que sonham com um filho – mas tiveram uma filha. A cirurgia e os hormônios só poderiam ser usados para corrigir problemas congênitos, em casos de crianças que nasceram com genitália ambígua, por exemplo, mas a fiscalização do país é falha.

Segundo a reportagem, os pais pressionam os médicos a fazer as cirurgias mesmo sabendo que as meninas “convertidas” em meninos serão inférteis. Em nome de escolher o sexo do filho – mesmo depois de seu nascimento –, esse pais abrem mão de ser avós biológicos.

A genitoplastia para atender a esse capricho dos pais não é aprovada, mas também não é proibida. Está numa zona cinza da regulamentação médica do país. Talvez porque, antes de isso acontecer, ninguém fosse capaz de imaginar que a misoginia pudesse chegar a esse ponto.

Os médicos afirmam que só fazem o procedimento quando a genitália externa da criança não bate com os órgãos sexuais internos. Mas há quem veja um abuso por parte dos pais e dos médicos para transformar meninas perfeitamente normais em meninos.

É difícil, daqui do Brasil, avaliar até que ponto isso está realmente acontecendo ou se há exagero na denúncia. Mas, a julgar pelo que se sabe da falta de mulheres na Índia, é bem possível que seja verdade.

Segundo Mara Hvistendahl, correspondente de ciência da revista Science, faltam 160 milhões de mulheres na Ásia. É possível notar o desequilíbrio da proporção entre meninas e meninos nascidos em países tão diversos como Vietnã, Albânia e Azerbaijão.

Mara estudou o assunto e acaba de lançar o livro Unnatural selection: Choosing boys over girls, and the consequences of a world full of men (algo como Seleção não-natural: Escolhendo garotos em vez de garotas, e as consequências de ter um mundo cheio de homens). Nele, ela prevê que, em 2020, haja 15% a 20% mais homens do que mulheres na região noroeste da Índia.

É claro que essa diferença gigantesca não acontece porque os pais procuraram um médico para fazer uma cirurgia de mudança de sexo em suas filhas. Isso deve ser mais exceção do que regra. O método mais procurado para garantir o nascimento de um filho é o aborto seletivo. Ou seja: a mãe se submete a exames (geralmente o ultrassom, que não é invasivo) para saber o sexo do filho o quanto antes e, se é menina, põe um fim à gravidez.

O aborto seletivo não é permitido em várias partes do mundo, mas é autorizado em vários países da Ásia. E o resultado é esse que estamos vendo: nascem muito mais meninos do que meninas.

Mesmo quando não há aborto, as meninas não estão protegidas. Na China, onde vigora a política do filho único, há milhares e milhares de meninas abandonadas em orfanatos.

A preferência pelos meninos é, em grande parte, cultural. Em algumas sociedades, como a chinesa, homens têm o dever de ficar com a família e cuidar dos pais, além de liderar cerimônias importantes, como o funeral.

Diante de notícias como essas ainda nos surpreendemos com aqueles que dizem que o feminismo é anacrônico e o machismo e a misoginia não mais existem.

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A história da blogueira lésbica sequestrada era uma farsa

17 jun

O mundo foi enganado por uma fraude. A história da blogueira lésbica sequestrada na Síria foi uma invenção de Thomas MacMaster, um americano heterossexual e casado aparentemente carente de atenção.

Conforme informações do Global Voices:

Thomas MacMaster escolheu ficar em silêncio por sete dias inteiros enquanto ativistas, blogueiros e até autoridades continuavam procurando Amina, receando o pior. Perguntas começaram a ser levantadas quando uma mulher alegou que ‘Amina’ personificou sua aparência, roubando fotos de uma conta privada no Facebook, enquanto investigações questionaram se a garota lésbica de Damasco poderia vir a não ser a pessoa que se dizia.

MacMaster alegou que sua fraude não teve intenções de ofender ou prejudicar ninguém. Todavia, segundo o mesmo Global Voices:

Outros acreditam que a fraude de MacMaster atravacou o trabalho em campo de ativistas, da mídia social e prejudicou o papel que estão desempenhando neste ano de revoluções árabes e a credibilidade da blogosfera árabe. Alguns também notaram que o trote desviou a atenção de campanhas coordenadas por ativistas e blogueiros realmente presos e sofrendo ameaça, além de também colocar em risco a comunidade gay da Síria.

Saiba mais no site GlobalVoices.

Presidente do Cress toma posse e manda tirar santos do prédio

10 jun

Maria José do Nascimento é presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Piauí.

A presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Piauí, Maria José do Nascimento, determinou a retirada de todos os símbolos religiosos da sede da entidade.

Maria José do Nascimento

Segundo a presidente do Conselho, a iniciativa não tem intenção de afrontar crenças religiosas. “Essa medida se fazia necessária em virtude de o Estado brasileiro ter abraçado o princípio da laicidade: O que fizemos foi tão somente cumprir a Constituição Federal”, explica Maria José.
Primeira mulher negra a presidir o CRESS Piauí, Maria José do Nascimento tomou posse no último dia 14, assumindo, dentre outros compromissos, aproximar aquele Conselho dos movimentos Sociais.
A decisão de retirar os símbolos religiosos da sede do CRESS deve agradar as entidades como o Matizes e Católicas pelo Direito de Decidir, que brigam na justiça para que imagens religiosas não sejam mais ostentadas em órgãos públicos.

Blogueira lésbica sequestrada na Síria

7 jun

A Blogueira Lésbica Amina Abdalla foi sequestrada em Damasco, capital da Síria, na última segunda-feira por volta das 18h (horário sírio). Amina é assumidamente lésbica e escreve no Blog “A gay girl in Damascus” sobre as dificuldades de ser uma jovem lésbica e muçulmana sunita na conservadora capital síria.

No dia 5 de junho Amina escreveu sobre o governo sírio que se vê as voltas com revoltas populares:

Eles perdem por serem inflexíveis e intransigentes; eles perdem por não perceberem que os tempos mudaram. Esse será o epitáfio deles; eles perdem porque eles não conseguem mudar.

No dia 6 de junho foi postada a mensagem que informa sobre o sequestro de Amina. A responsável pela postagem foi Rania, prima da jovem.

Segundo Rania, Amina foi sequestrada por três homens que tinham por volta de vinte anos de idade. Ela estava indo ao encontro de uma pessoa envolvida com os protestos na Síria quando foi abordada por esses homens armados que a colocaram em um carro com o adesivo do rosto do falecido Bassel al-Assad, irmão do presidente sírio. A prima de Amina ainda informa que é difícil saber exatamente quem eram aqueles homens, pois a Síria possui diversas forças policiais além de milícias simpáticas ao governo.

A localização de Amina é agora desconhecida e a prima da moça faz um apelo no blog para obter informações sobre o paradeiro dela.

Na internet começam os esforços pela libertação de Amina. A página no Facebook “Free Amina Abdalla” já foi aprovada por 4.430 pessoas desde a recente dada de sua publicação. Foi organizada também uma petição online pedindo pela liberação da blogueira que ousou desafiar não só o governo sírio, mas uma tradicional cultura que desaprova a lesbianidade.

Assine a petição pela libertação de Amina clicando aqui.

Visite o blog dela aqui.

Clique em “curtir” a página no Facebook “Free Amina Abdalla

Ajude a divulgar esse caso e a criar uma pressão internacional pela liberdade de uma mulher corajosa que apesar de todos os perigos vive e fala sobre sua lesbianidade em um país convulsionado, não pelas revoltas, mas por um governo que há anos cerceia as liberdades individuais e que já matou mais de  mil pessoas envolvidas nos movimentos por sua derrubada.

 Apoie Amina, ela precisa de nós.

 Mais informações sobre o sequestro de Amina Abdalla na Folha Online.

Saiba mais sobre as revoltas na Síria.

Uma intrigante ironia

3 jun

O jornalista do CQC Marcelo Tas e sua trupe de “engraçadinhos” vivem a reclamar da censura e da perseguição que sofrem dessa gente estranha que eles chamam de “politicamente correta”. É bastante engraçado, para não dizer outra coisa, quando um desses paladinos da libertinagem – digo – liberdade de expressão, usam de ameaças para justamente… tolher a liberdade de expressão de terceiros! Nessa situação, uma terceira!

A maravilhosa blogueira Lola Aronovich está sendo ameaçada de processo por Marcelo Tas única e exclusivamente por ter dito algumas verdades sobre o programinha que ele lidera.

Leia aqui o post da Lola que despertou a ira do Tas.

Leia aqui os comentários dela sobre as ameaças infames do Tas.

E…

Apoie Lola Aronovich!

Divulgue nas redes sociais a atitude truculenta do Tas!

A liberdade de expressão é uma conquista fundamental, mas como qualquer direito tem seu limite, e o limite da liberdade de expressão é a dignidade. Quando alguém usa dessa prerrogativa para ofender e humilhar está desvirtuando o real sentido da livre manifestação de idéias e pensamentos. Não podemos aceitar isso sob pena de confundirmos liberdade de expressão com liberdade de insulto.

A televisão é uma concessão pública que deve cumprir uma função social, vamos manifestar nosso repúdio ao uso desse espaço público para a manifestação e propagação de preconceitos!

“Criminalização do abortamento é inconstitucional”, afirma juiz

24 maio

(Revista Liberdades) “A criminalização do abortamento é incompatível com o sistema de proteção dos Direitos Humanos das Mulheres incorporado ao sistema constitucional brasileiro”, defende o juiz de Direito José Henrique Rodrigues Torres, professor de Direito Penal da PUC-Campinas e membro da Associação Juízes para a Democracia.

Em entrevista à Revista Liberdades, o juiz-presidente do Tribunal do Júri de Campinas afirma que “os organismos internacionais de Direitos Humanos têm proclamado, reiteradamente, por declarações, tratados, assembleias e convenções, que a criminalização do aborto contraria de modo flagrante os direitos humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres.” Abaixo, a posição do juiz sobre a criminalização do aborto:

“A criminalização do aborto está sendo mantida com um enorme custo social, impede a implantação e efetivação de medidas realmente eficazes para o enfrentamento do problema e acarreta às mulheres terríveis sequelas e morte.”

“O princípio da idoneidade, por exemplo, exige que a criminalização de qualquer conduta deve ser um meio útil para controlar um determinado problema social. Contudo, a criminalização do aborto tem sido absolutamente inútil, ineficaz e ineficiente para conter a prática dessa conduta. Basta lembrar que, de acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde, são praticados mais de um milhão de abortos no Brasil todos os anos.”

“A criminalização do aborto também viola o princípio da subsidiariedade, que determina que, no processo democrático de criminalização, devem ser considerados os benefícios e os custos sociais causados pela adoção da medida proibicionista criminalizadora….  O aborto inseguro, praticado na ilegalidade, é uma das principais causas de morte materna no Brasil.”

“A legislação repressiva-punitiva tem acarretado um significativo impacto negativo para a vida das mulheres, especialmente para aquelas de baixa renda, que, destituídas de outros meios e recursos, são obrigadas a prosseguir na gravidez indesejada ou sujeitam-se à prática de abortos em condições de absoluta insegurança.”

“É absolutamente inegável que o problema do aborto pode e deve ser enfrentado fora do sistema penal, de modo mais eficaz e não danoso, sem que as mulheres tenham que suportar os riscos do aborto inseguro. É infinitamente mais eficaz adotar políticas públicas de promoção da saúde das mulheres, em especial no âmbito da saúde sexual e reprodutiva, criar e implantar programas eficientes de planejamento familiar, promover a educação formal, bem como a informal, capacitar profissionais para promover o acolhimento das mulheres, manter de estruturas sanitárias preparadas para garantir os direitos à saúde física e psicológica, manter sistemas de acolhimento e orientação, promover a igualdade de gênero e o afastamento da ideologia patriarcal, ampliar o poder das mulheres na tomada de decisões sobre a sua sexualidade e reprodução, apoiar integralmente a maternidade, garantir informações sobre a sexualidade e o uso dos meios de anticoncepção e, ainda, garantir o acesso pleno aos meios anticonceptivos.”

“A criminalização do aborto também afronta as exigências jurídico-penais de não se criminalizar uma conduta de modo simbólico ou para impor uma determinada concepção moral, ou para punir condutas freqüentemente aceitas ou praticadas por parcela significativa da população.”

“Infelizmente, esse tema tem sido tratado de uma forma equivocada. Ser a favor ou contra o aborto é um falso dilema. Ninguém é a favor do aborto. Este é um problema social e de saúde pública que deve realmente ser enfrentado pela sociedade. Contudo, o enfrentamento desse terrível problema pelo viés repressivo, com os instrumentos desse irracional e deletério sistema penal, é totalmente equivocado.”

“Eu ainda acredito que a sociedade terá, em breve, lucidez suficiente para despir-se dos preconceitos e acabar com a criminalização do abortamento, encontrando, fora do sistema penal, meios mais eficazes, mais eficientes e menos traumáticos e prejudiciais para o equacionamento e enfrentamento desse gravíssimo problema.”

Fonte: Agência Patrícia Galvão

A entrevista na íntegra se encontra disponível no site da Agência Patrícia Galvão!

Abandono de crianças: mães cruéis ou desesperadas?

18 maio

O abandono de bebês recém-nascidos tem ocupado grande espaço nos noticiários nas últimas semanas. Junto da indignação nacional – fruto também do sensacionalismo com o qual a imprensa veicula estas notícias – vem a “crucificação” das mulheres que num ato de desespero abandonaram seus filhos.

Em entrevista para o Estado de São Paulo, a demógrafa Elza Berquó analisa este fenômeno, segundo ela:

Certamente são pessoas [as mulheres que abandonam os bebês] mais desfavorecidas socialmente, mas não é só a questão financeira. É uma constelação de fatores. Considero este um momento de total desespero, de não saber o que fazer. É com grande sofrimento que as mulheres praticam esse abandono.

Elza Berquó nos chama a atenção para o fato de que não é possível compreender o ato de deixar um bebê sem equacionar a triste situação de mulheres que são impelidas a levar adiante uma gravidez indesejada.

Confira a entrevista com Elza Berquó na íntegra.